Eu sobrevivi. Mas ainda precisava aprender a viver.
Rafael
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Se preferir, você pode apenas ouvir esta história. A leitura continua aqui embaixo.
Eu tinha 18 anos quando minha vida mudou em poucos segundos.
Sofri um grave acidente de carro. Quase perdi a visão e fiquei com sequelas que carrego até hoje no braço esquerdo.
Mas a maior marca daquele dia não ficou no meu corpo.
Um colega que estava comigo morreu.
Eu sobrevivi.
E durante muito tempo, não soube exatamente o que fazer com o fato de ter sobrevivido.
Vieram perguntas, culpa, dor e sentimentos que eu nem sempre conseguia explicar. Por que ele e não eu? Por que aquilo aconteceu? Por que Deus permitiu?
Eu tinha recebido uma segunda chance de viver, mas isso não significava que eu sabia como vivê-la.
Ali começou o meu deserto.
Durante anos carreguei coisas dentro de mim que muitas vezes ninguém conseguia enxergar. Por fora, a vida continuava. Eu seguia em frente, trabalhava, construía coisas, sorria, vivia.
Mas algumas feridas não aparecem.
E em algum momento desse caminho eu também me afastei de mim mesmo. E me afastei de Deus.
Não porque deixei necessariamente de acreditar Nele, mas porque existem momentos em que a dor faz nascer perguntas para as quais não encontramos respostas.
Eu queria entender.
Talvez durante muito tempo eu tenha procurado entender por que aquilo aconteceu comigo.
Hoje, minha pergunta começa a ser outra:
o que eu posso fazer com a vida que me foi dada?
Eu não posso dizer que compreendi todos os planos de Deus. Não posso dizer que nunca mais senti dor. E muito menos que depois daquele acidente tudo ficou bem.
Minha história não é sobre isso.
É sobre descobrir, aos poucos, que mesmo no deserto podemos voltar a procurar por Deus.
É sobre perceber que fé não significa ausência de perguntas.
É sobre entender que podemos chegar diante Dele machucados, confusos, revoltados, culpados e até sem saber direito o que dizer.
Podemos simplesmente chegar.
E talvez uma das coisas mais importantes que aprendi seja que aquilo que um dia quase nos destruiu também pode, algum dia, servir para acolher alguém.
Durante muito tempo pensei em contar minha história. Pensei em escrever um livro. Pensei em dar meu testemunho. Sentia que talvez aquilo que vivi não pudesse terminar apenas em mim.
Hoje começo a compreender isso de outra forma.
Talvez meu testemunho não exista para dizer às pessoas: “olhem como eu fui forte.”
Talvez exista para dizer:
“Eu também atravessei um deserto.”
“Eu também questionei.”
“Eu também senti culpa.”
“Eu também me afastei.”
“E ainda assim encontrei um caminho de volta para Deus.”
Foi desse sentimento que nasceu o Luz no Deserto.
Não porque eu tenha todas as respostas.
Muito pelo contrário.
Ele nasceu porque sei como é precisar de uma luz quando não conseguimos enxergar muito longe.
Talvez você tenha chegado aqui vivendo um acidente diferente do meu.
Talvez seja um luto.
Uma separação.
Uma doença.
Uma dificuldade financeira.
Uma culpa que ninguém conhece.
Talvez você esteja com raiva de Deus.
Talvez tenha se afastado Dele.
Ou talvez nem saiba mais se acredita.
Eu não sei qual é o seu deserto.
Mas sei que você não precisa chegar aqui com a fé pronta, com as palavras certas ou fingindo estar bem.
Comece como estiver.
Conte o que está vivendo.
Peça oração.
Leia uma Palavra.
Tente falar com Deus novamente.
Mesmo que a primeira oração seja apenas:
“Deus, eu não sei nem o que dizer. Mas estou aqui.”
Talvez isso já seja um começo.
Eu não sei por que sobrevivi àquele acidente.
E tenho muito respeito pela vida que não continuou naquele dia para transformar minha sobrevivência em uma resposta simples.
Mas sei que estou aqui.
E se uma parte daquilo que vivi puder fazer com que alguém, em algum lugar, no pior dia da sua vida, não desista, encontre esperança ou simplesmente tente conversar com Deus mais uma vez...
então quero usar a minha história para isso.
Talvez essa seja uma das formas de transformar o meu deserto em luz para o deserto de alguém.
Testemunho enviado pela comunidade e revisado antes da publicação.
Se quiser, deixe um gesto silencioso:
Talvez esta história tenha encontrado você por um motivo.
Se você está vivendo algo parecido, não precisa atravessar sozinho.